O buraco do tatu
Sérgio Caparelli – Nasceu em Uberlândia, MG, em 1947. é jornalista, professor doutor em Ciências da Comunicação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Autor de livros infantis e infanto-juvenis de poesia e prosa. Prêmio Jabuti, 1982/1983, de literatura infantil, pelo livro Vovô fugiu de casa; e Prêmio Jabuti de Ciências Humanas por Televisão e capitalismo no Brasil. Prêmio da associação Paulista de Críticos de poesia e literatura infantil e juvenil, pela autoria de Boi da cara preta; e na mesma categoria, em 1989, pelo livro Tigres no quintal. Autor, entre outros, de A jibóia Gabriela, Restos de arco-íris, Come-vento, Ciberpoemas e uma fábula virtual.
O tatu cava um buraco a procura de uma lebre, quando sai pra se coçar, já está em Porto Alegre. O tatu cava um buraco, e fura a terra com gana, quando sai pra respirar já está em Copacabana. O tatu cava um buraco e retira a terra aos montes, quando sai pra beber água já está em Belo Horizonte. O tatu cava um buraco, dia e noite, noite e dia, quando sai pra descansar, já está lá na Bahia. O tatu cava um buraco, tira terra, muita terra, quando sai por falta de ar, já está na Inglaterra. O tatu cava um buraco e some dentro do chão, quando sai pra respirar, já está lá no Japão. O tatu cava um buraco com as garras muito fortes, quando quer se refrescar já está no Pólo Norte. O tatu cava um buraco um buraco muito fundo, quando sai pra descansar já está no fim do mundo. O tatu cava um buraco perde o fôlego, geme, sua, quando quer voltar atrás, leva um susto, está na Lua. |

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